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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Crônica do Ivan Angelo... enjoy!

Achei esta crônica muito fofa.... bom fim de semana!

Antigas Namoradas

Qual é o encanto das antigas namoradas? Temei, esposas, noivas, amantes, pretendentes, temei o mistério das antigas namoradas. Temei seu assédio volátil, sua presença incorpórea, seus apelos inaudíveis, seus dedos pianíssimos, seus pés passarinhos. E consolai-vos, pois sois vós mesmas antigas namoradas de algum marido, noivo, amante — hoje de outra.
Por que não se esquece uma antiga namorada? O cérebro, que apaga tantas coisas de que gostaríamos de nos lembrar, ou que as mantém no fundo de um quartinho escuro, traz para a luz uma ou outra antiga namorada e dá-lhe um banho de sol.
As antigas namoradas vão conosco ao cinema, deitam-se ao nosso lado na areia da praia, visitam amigos que visitamos. Preferem nossos momentos de solidão, mas não se importam com presenças.
O curioso é que nem todas foram boas namoradas, e isso não as impede de pretensiosamente encontrar espaço entre as benfazejas. Como se o tempo fosse desbastando a pessoa real, depurando-a, e acabasse por deixá-la enxuta, encaixada nesse conceito simples: ex-namorada. E como tal terá dado ao namorado, a seu tempo, o que é da essência das namoradas. Porque a má namorada não é como a bruxa dos contos de fada, que é sempre má, ou como a vilã de telenovela. Teve seus bons momentos, ou não seria namorada, tenha feito o que tiver feito por defeito. As falhas passadas já não a impedem de ir chegando, simplesmente porque é, como as outras, uma antiga namorada.
Podemos até passar por uma antiga namorada na rua e não a reconhecer. O tempo delas não é o de hoje. Seu momento foi fixado em algum lugar do passado, quando a beleza do olhar, do sorriso, da voz, do gesto, do ato nos emocionou e gravou imagens que voltam em flashback. Um dos prováveis encantos das antigas namoradas é que o tempo não as destrói, antes conserva e recupera. Adoça.
Homens têm afeições mais difusas do que as das mulheres. Não ficam se lembrando de roupas que tiveram, sapatos, escolas, casas, quartos, brinquedos, cães — ou quando se lembram não devaneiam. No geral, escorregam da realidade para o devaneio ao se recordar de duas coisas: seu primeiro carro e as antigas namoradas. Às vezes de ambos, nos momentos em que os aproveitaram juntos.
O apelo das antigas namoradas dispensa fotografias desbotadas ou cartas amareladas, e lenços, luvas, calcinhas, pétalas secas de flor. Elas não precisam disso para se insinuar e além do mais as esposas, noivas, amadas ou pretendentes não permitiriam nas gavetas da casa esse tipo de fetiche.
Nada pedem. Fazem companhia num cinema sem disputar o braço da poltrona, sem gastar entrada, na cama sem ocupar espaço, no trânsito sem desviar nossa atenção. De quem é artista, povoam telas, páginas, cenas. O mistério delas é estar sem estar. É não ter hora. Por que vão e voltam, anos sem vir, dias sem ir? Por que sumiços e um dia insistências?
Será o encanto delas o nos terem amado, egoístas que somos, vaidosos que somos? Ou o terem sido amadas? Será o terem chorado, o termos chorado? A entrega? Será o termos pensado que ninguém mais caberia na vida delas, ou na nossa, ninguém além de nós? O encanto delas será as incluirmos no nosso confronto de hoje com as ilusões do passado, a nossa ingenuidade, o nosso romantismo? Temos saudade de nós?
Pertencendo elas a outro tempo, seu encanto é não terem realidade, não serem tocadas pelas imperfeições do presente e da presença. Quando provocam o reencontro, as perdemos.

Imagem: Veja SP
Texto: Ivan Angelo
link original: http://vejasp.abril.com.br/revista/edicao-2166/antigas-namoradas

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

"Uma espécie de graça ilumina às vezes o espírito do homem. É um fenómeno bastante vulgar. A princípio, é um crepitar de ras-tilho que arde em direcção à dinamite, uma alegria no estômago, uma delicia dos nervos e dos antebraços.A pele saboreia o ar e de cada vez que se respira é uma ine-fável sensação. Todo o corpo se espreguiça e boceja de prazer, o cérebro ilumina-se e todo o mundo resplandece à nossa frente.O homem pode ter vivido uma vida cinzenta, rodeado de ter-ras escuras e de árvores negras, os acontecimentos mais importantes podem ter passado alinhados, anónimos e desprovidos de cor, mas nada disso conta. Porque, no instante da graça, o canto súbito dum grilo encanta o ouvido, o aroma da terra enche as narinas e a luz coada por uma árvore regenera a vista. Então, o homem transforma-se numa nascente inesgotável."

A Leste do Éden - John Steinbeck

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

"Quando uma criança vê, pela primeira vez, os adultos tais
como são, quando, pela primeira vez, lhe penetra na cabeça a
ideia de que os adultos não têm uma inteligência divina, de que os
seus juízos nem sempre são acertados, as ideias boas, as frases
correctas, todo o seu mundo desaba e dá lugar a um caos ater-
rador. Os ídolos caem e a segurança desaparece. E quando um
ídolo cai, não é só em parte, fica completamente esmagado e esti-
lhaçado ou desaparece sob um monte de estrume. Torna-se, en-
tão, difícil reconstituí-lo e, mesmo que o voltem a colocar no pe-
destal, ficam sempre manchas inapagáveis que denunciam a queda
passada. E o mundo da criança já não está intacto. Penosamente,
ir-se-á arrastando até ao estado de homem."

Trecho de "East of Eden" de John Steinbeck

Fiquei pensando nesse texto e me lembrei de uma crônica do Paulo Coelho (antiga, claro!). Era sobre como algumas pessoas reagiam quando descobriam que não existia Papai Noel, coelho da Páscoa e nem outros tantos mitos. E como isso podia ter um efeito avassalador na personalidade em formação daquela criança. Já adultas encaravam bem a realidade e o fato de que seus pais podiam mentir, enquanto outras realmente ficavam arrasadas e se tornavam céticas, recusando-se a acreditar em tudo o que não pudesse ser visto ou comprovado cientificamente. E eu me pergunto: Será que vale a pena fazer minha filha acreditar nesses mitos? Mesmo que depois eu lhe conte a verdade? E quando ela tiver tino o suficiente para perceber a desigualdade social? O que ela acharia de Papai Noel ao notar que ela ganhou o presente que pediu, enquanto outras crianças menos abastadas nem tiveram o que comer?
Mas ao mesmo tempo, será que é válido privá-la de toda essa "mágica" que envolve o natal, a páscoa...? Qual a idade certa para contar-lhe a verdade? Saberei a hora???
Este livro realmente está me fazendo pensar em muitas coisas....

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Essas outras crianças

Quando voltava do médico passamos por debaixo de uma ponte, lugar apreciado por pessoas que moram nas ruas. Vimos com muita tristeza uma mãe abraçada à sua filha (que julgo ter no máximo 04 anos). Ambas desprotegidas do frio. A menina trajava apenas uma camisa de adulto. Aquilo partiu meu coração... paramos no semáforo e a mulher nos pediu algum dinheiro. O neko deu-lhe algumas moedas e um salgadinho que tinha comprado para a Alice. Infelizmente não tínhamos mais nada.... a menina comeu aquilo com tanto gosto que imagino ter sido sua primeira refeição aquele dia. Meu Deus, que infelicidade... hoje navegando pela net encontrei esse texto. Coincidência? Duvido! Isso despertou em mim um grande desejo de ajudar! Vou me informar e tentar ajudar mais meu próximo, afinal, como Jesus mesmo disse: "Fora da caridade não há salvação!"...

"Quando abraças teu filho, no conforto doméstico, fita essas outras crianças que jornadeiam sem lar.
Dispões de alimento abundante para que teu filho se mantenha em linha de robustez.
Essas outras crianças, porém, caminham desnorteadas, aguardando os restos da mesa que lhes atira, com displicência, findo o repasto.
Escolhes a roupas nobre e limpa de que teu filho se vestirá, conforme a estação.
Todavia, essas outras crianças tremem de frio, recobertas de andrajos.
Defendes teu filho contra a intempérie, sob o teto acolhedor, sustentando-o à feição de jóia no escrínio.
Contudo, essas outras crianças cochilam estremunhadas na via pública quando não se distendem no espaço asfixiante do esgoto.
Abres ao olhar deslumbrado de teu filho, os tesouros da escola.
E essas outras crianças suspiram debalde pela luz do alfabeto, acabando, muita vez, encerradas no cubículo das prisões, à face da ignorância que lhes cega a existência.
Conduzes teu filho a exame de pediatras distintos sempre que entremostre leve dor de cabeça.
Entretanto, essas outras crianças minadas por moléstias atrozes, agonizam em leitos de pedra, sem que mão amiga as socorra.
Ofereces aos sentidos de teu filho a festa permanente das sugestões felizes, através da educação incessante.
No entanto, essas outras crianças se agitam em sombra ou desespero e ajuda-as quanto possa!
Quem serve no amor de Cristo sabe que a boa palavra e o gesto de carinho, o pedaço de pão e a peça de vestuário, o frasco de remédio e a xícara de leito operam maravilhas.
Enquanto essas outras crianças chorarem desamparadas, clamaremos em vão pelo mundo melhor."
Emmanuel por Francisco Candido Xavier

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O Instante Mágico

mSegura! :) Outro texto do Paulo Coelho. E devo confessar... é o meu favorito!

Instante Mágico

É preciso correr riscos! Só entendemos direito o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteça. Todos os dias Deus nos dá - junto com o sol - um momento em que é possível mudar tudo que nos deixa infelizes. Todos os dias procuramos fingir que não percebemos este momento, que ele não existe, que hoje é igual à ontem e será igual à amanhã. Mas, quem presta atenção ao seu dia, descobre o instante mágico. Ele pode estar escondido na hora em que enfiamos a chave na porta pela manhã, no instante de silêncio logo após o jantar, nas mil e uma coisas que nos parecem iguais. Este momento existe - um momento em que toda a força das estrelas passa por nós, e nos permite fazer milagres. A felicidade às vezes é uma bênção - mas geralmente é uma conquista. O instante mágico do dia nos ajuda a mudar, nos faz ir em busca de nossos sonhos. Vamos sofrer, vamos ter momentos difíceis, vamos enfrentar muitas desilusões, mas tudo é passageiro, e não deixa marcas. E, no futuro, podemos olhar para trás com orgulho e fé. Pobre de quem teve medo de correr os riscos. Porque este talvez não se decepcione nunca, nem tenha desilusões, nem sofra como aqueles que têm um sonho a seguir. Mas quando olhar para trás - porque sempre olhamos para trás - vai escutar seu coração dizendo: "O que fizeste com os milagres que Deus semeou por teus dias? O que fizeste com os talentos que teu Mestre te confiou? Enterraste fundo em uma cova, porque tinhas medo de perdê-los. Então, esta é a tua herança: a certeza de que desperdiçaste tua vida". Pobre de quem escuta estas palavras. Porque então acreditará em milagres, mas os instantes mágicos da vida já terão passado.
Paulo Coelho

O Poder da Palavra

A cabeça está sempre à mil, mas não consigo transcrever o que sinto... faço o login e simplesmente nada sai! Deve ser essa minha dificuldade em me abrir... mas, vagando pela net, depois de passear pelos meus blogs favoritos, lembrei de um texto do Paulo Coelho que tenho aqui. Quando eu era mais nova, o considerava um sábio! Tudo o que escrevia era aceito sem pestanejar. Hoje estou mais crítica. Já nem lí um texto inteiro por achá-lo CHATO mesmo. Mas esse é dos antigos... e dos bons!

"Escreve. Seja uma carta, um diário ou umas notas enquanto falas ao telefone, mas escreve. Procura desnudar a tua alma por escrito, ainda que ninguém leia; ou, o que é pior, que alguém acabe lendo o que não querias. O simples ato de escrever ajuda-nos a organizar o pensamento e a ver com mais clareza o que nos rodeia. Um papel e uma caneta fazem milagres, curam dores, consolidam sonhos, levam e trazem a esperança perdida. As palavras têm poder."

'O Poder da Palavra

De todas as poderosas armas de destruição que o homem foi capaz de inventar,a mais terrível - e a mais covarde - é a palavra. Punhais e armas de fogo deixam vestígios de sangue. Bombas abalam edifícios e ruas. Venenos terminam sendo detectados. Mas a palavra destruidora consegue despertar o Mal sem deixar pistas. Crianças são condicionadas durante anos pelos pais, artistas são impiedosamente criticados, mulheres são sistematicamente massacradas por comentários de seus maridos, fieís são mantidos longe da religião por aqueles que se julgam capazes de interpretar a voz de Deus. Procure ver se você está utilizando esta arma. Procure ver se estão utilizando esta arma em você. E não permita nenhuma coisa, nem outra. "

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