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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

"Uma espécie de graça ilumina às vezes o espírito do homem. É um fenómeno bastante vulgar. A princípio, é um crepitar de ras-tilho que arde em direcção à dinamite, uma alegria no estômago, uma delicia dos nervos e dos antebraços.A pele saboreia o ar e de cada vez que se respira é uma ine-fável sensação. Todo o corpo se espreguiça e boceja de prazer, o cérebro ilumina-se e todo o mundo resplandece à nossa frente.O homem pode ter vivido uma vida cinzenta, rodeado de ter-ras escuras e de árvores negras, os acontecimentos mais importantes podem ter passado alinhados, anónimos e desprovidos de cor, mas nada disso conta. Porque, no instante da graça, o canto súbito dum grilo encanta o ouvido, o aroma da terra enche as narinas e a luz coada por uma árvore regenera a vista. Então, o homem transforma-se numa nascente inesgotável."

A Leste do Éden - John Steinbeck

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

"Quando uma criança vê, pela primeira vez, os adultos tais
como são, quando, pela primeira vez, lhe penetra na cabeça a
ideia de que os adultos não têm uma inteligência divina, de que os
seus juízos nem sempre são acertados, as ideias boas, as frases
correctas, todo o seu mundo desaba e dá lugar a um caos ater-
rador. Os ídolos caem e a segurança desaparece. E quando um
ídolo cai, não é só em parte, fica completamente esmagado e esti-
lhaçado ou desaparece sob um monte de estrume. Torna-se, en-
tão, difícil reconstituí-lo e, mesmo que o voltem a colocar no pe-
destal, ficam sempre manchas inapagáveis que denunciam a queda
passada. E o mundo da criança já não está intacto. Penosamente,
ir-se-á arrastando até ao estado de homem."

Trecho de "East of Eden" de John Steinbeck

Fiquei pensando nesse texto e me lembrei de uma crônica do Paulo Coelho (antiga, claro!). Era sobre como algumas pessoas reagiam quando descobriam que não existia Papai Noel, coelho da Páscoa e nem outros tantos mitos. E como isso podia ter um efeito avassalador na personalidade em formação daquela criança. Já adultas encaravam bem a realidade e o fato de que seus pais podiam mentir, enquanto outras realmente ficavam arrasadas e se tornavam céticas, recusando-se a acreditar em tudo o que não pudesse ser visto ou comprovado cientificamente. E eu me pergunto: Será que vale a pena fazer minha filha acreditar nesses mitos? Mesmo que depois eu lhe conte a verdade? E quando ela tiver tino o suficiente para perceber a desigualdade social? O que ela acharia de Papai Noel ao notar que ela ganhou o presente que pediu, enquanto outras crianças menos abastadas nem tiveram o que comer?
Mas ao mesmo tempo, será que é válido privá-la de toda essa "mágica" que envolve o natal, a páscoa...? Qual a idade certa para contar-lhe a verdade? Saberei a hora???
Este livro realmente está me fazendo pensar em muitas coisas....

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

"A noite passada sonhei com a paz"

Sempre gostei de história (novidade :P) e o assunto que mais me fascina é a guerra. Principalmente a Segunda Guerra Mundial. Como já disse anteriormente, não gosto da desgraça alheia. Mas é um assunto que gosto e pronto! Eu estava numa sala de espera, folheando uma revista, quando me deparei com um artigo que chamou minha atenção pela data. O artigo era sobre o lançamento do livro "A noite passada eu sonhei com a paz - O diário de Dang Thuy Tram", no dia 18 de Julho de 2005 no Vietnã. A mesma data do meu aniversário... acho que a clínica deveria atualizar suas revistas, não??? 2005??? :) "Devorei" o artigo! Esse livro é o diário da jovem médica Thuy, que virou voluntária em um hospital de campanha vietcongue. Fiquei louca de curiosidade para ler o livro... chega de só ler e ver no cinema a versão dos americanos sobre essa guerra, né? Comprei o livro ontem e já estou na metade das suas 260 páginas.

O livro tem muitas notas no rodapé, o que por vezes torna a leitura massante por causa das longas explanações.


***

É difícil não simpatizar com a Thuy. Uma moça de 25 anos, corajosa, dona de um imenso coração... coração esse que sofre pelo amor de M., outro jovem revolucionário por quem se apaixonara desde os 15 anos e que a deixou para ir para os campos de batalha. Ela relata seus medos, anseios, compaixão pelos seus pacientes e a profunda saudade que sente de sua família e de seu lar.

***

Essa moça me lembra meus anseios adolescentes... meu sonho era me formar em medicina e me juntar à Cruz Vermelha ou ao Médicos Sem Fronteiras. Mas a vida me trouxe pessoas e modificou fatos que me "prenderam" aqui. Mas não me arrependo de nada. Talvez em outra vida, quem sabe? Por enquanto vou saboreando cada frase de Thuy, imaginando cada cena, como se eu mesma estivesse lá....

terça-feira, 22 de julho de 2008

Comecei a ler "Minha vida em outra vida" de Jenny Cockell... Está ficando bem interessante! :)

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